Conversação

Como um professor de inglês sabe o que você precisa aprender?

Como um professor identifica as necessidades de um aluno de inglês? Entenda o que ele observa para definir prioridades e adaptar as aulas.

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Imagine dois alunos que estão no nível B1 de inglês.

Os dois conseguem conversar, entendem textos relativamente simples e já estudaram bastante gramática.

Mesmo assim, as aulas desses dois alunos provavelmente não deveriam ser iguais.

Um deles precisa participar de reuniões em inglês e tem dificuldade para explicar suas ideias com clareza.

O outro vai viajar para o exterior e consegue conversar razoavelmente bem, mas tem dificuldade para entender diferentes sotaques quando as pessoas falam rapidamente.

Os dois são B1. Os dois estudam inglês. Mas as necessidades são diferentes.

É justamente por isso que um professor precisa descobrir o que o aluno precisa desenvolver, e não apenas identificar em qual nível ele está.

O que significa saber o que um aluno precisa aprender?

Quando falamos em necessidade de aprendizagem, estamos falando de várias informações que ajudam o professor a tomar decisões sobre as aulas.

Entre elas estão:

  • quais são os objetivos do aluno;
  • em quais situações ele precisa usar inglês;
  • o que ele já estudou;
  • o que consegue fazer atualmente;
  • onde encontra dificuldades;
  • quais habilidades precisam de mais atenção;
  • como ele costuma aprender melhor;
  • quanto tempo tem disponível para estudar e praticar.

Esse processo é conhecido no ensino de línguas como needs analysis, ou análise de necessidades.

Pesquisas sobre o tema destacam justamente a importância de considerar objetivos, experiências anteriores, preferências e características individuais do aluno ao planejar o ensino.

Isso ajuda o professor a tomar decisões mais adequadas sobre objetivos, conteúdos e atividades.

O nível de inglês conta, mas não conta toda a história

Saber que alguém é A2, B1 ou B2 é útil.

O nível oferece uma referência sobre o desenvolvimento linguístico do aluno e ajuda a estabelecer expectativas sobre aquilo que ele consegue fazer em inglês.

Mas duas pessoas no mesmo nível podem apresentar dificuldades completamente diferentes.

Por exemplo:

Aluno A — B1

Consegue falar sobre situações cotidianas, mas trava quando precisa explicar uma opinião mais complexa.

Aluno B — B1

Consegue explicar suas opiniões, mas tem dificuldade para acompanhar uma conversa espontânea entre falantes nativos.

Os dois podem receber a mesma classificação de nível.

As prioridades para as aulas, porém, seriam diferentes.

Por isso, um professor precisa olhar além da etiqueta do nível.

O primeiro ponto: para que você precisa do inglês?

Essa é uma das perguntas mais importantes.

Uma pessoa pode estudar inglês porque quer:

  • viajar;
  • trabalhar em uma empresa internacional;
  • participar de reuniões;
  • fazer apresentações;
  • estudar fora;
  • fazer uma entrevista de emprego;
  • conversar com amigos estrangeiros;
  • consumir conteúdo em inglês;
  • melhorar a comunicação no dia a dia.

Cada objetivo pode exigir um conjunto diferente de habilidades.

Imagine alguém que trabalha em uma empresa internacional.

Talvez essa pessoa já tenha um bom vocabulário geral, mas precise desenvolver a capacidade de:

  • explicar problemas;
  • fazer perguntas durante reuniões;
  • discordar de uma ideia de maneira adequada;
  • apresentar resultados;
  • pedir esclarecimentos;
  • falar com mais espontaneidade.

Nesse caso, simplesmente adicionar mais uma lista de palavras ao estudo talvez não seja a prioridade.

O professor precisa entender onde o inglês será usado para decidir o que faz sentido praticar.

O que você já estudou também importa

O professor também precisa saber o que aconteceu antes.

Um aluno pode ter estudado inglês durante muitos anos e ainda apresentar dificuldades específicas.

Outro pode ter estudado por pouco tempo, mas ter desenvolvido bastante vocabulário por conta própria.

Há também quem tenha aprendido principalmente através de cursos tradicionais, quem tenha aprendido consumindo filmes e séries e quem tenha passado anos usando inglês no trabalho.

Essas experiências produzem perfis diferentes.

Por isso, conhecer o histórico do aluno ajuda a evitar que as aulas simplesmente repitam conteúdos que ele já domina ou avancem para assuntos para os quais ainda falta uma base importante.

O professor também precisa observar o que acontece durante a aula

Aqui existe uma diferença importante entre o que o aluno diz que consegue fazer e aquilo que realmente acontece quando ele usa o idioma.

Imagine que um aluno diga:

“Eu sei bastante vocabulário, mas na hora de falar eu esqueço tudo.”

Durante uma conversa, o professor pode perceber algo mais específico.

Talvez o aluno conheça as palavras, mas demore muito para construir frases.

Talvez saiba construir frases, mas tenha dificuldade para recuperar determinadas estruturas rapidamente.

Talvez compreenda a pergunta, mas tenha dificuldade para desenvolver respostas mais longas.

Ou talvez o problema esteja principalmente na pronúncia de determinados sons, fazendo com que ele hesite antes de falar.

A observação durante atividades reais ajuda o professor a identificar essas diferenças.

Algumas dificuldades aparecem quando você começa a falar

É por isso que uma conversa pode revelar informações que um exercício escrito não mostra.

Um aluno pode acertar:

Yesterday I went to work.

em um exercício de gramática.

Mas, durante uma conversa espontânea sobre o dia anterior, pode dizer:

Yesterday I go... went... to work.

Esse pequeno momento fornece uma informação importante.

O problema talvez não seja simplesmente “não saber o passado”.

O aluno pode conhecer a estrutura, mas ainda não conseguir utilizá-la com rapidez suficiente durante uma conversa.

Essa diferença influencia a escolha das atividades.

Em vez de apenas apresentar novamente a regra gramatical, o professor pode criar situações em que o aluno precise recuperar e utilizar aquela estrutura repetidamente dentro de uma conversa.

Como o professor decide o que deve ser prioridade?

Nem toda dificuldade precisa ser trabalhada ao mesmo tempo.

Imagine que durante uma aula o professor perceba:

  • alguns erros de gramática;
  • vocabulário limitado em determinado assunto;
  • dificuldade para organizar respostas;
  • alguns problemas de pronúncia;
  • hesitação durante a fala.

Seria possível criar uma aula tentando corrigir tudo isso.

Mas isso provavelmente deixaria o processo pouco eficiente e difícil de acompanhar.

O professor precisa decidir o que merece atenção agora.

Essa decisão pode considerar fatores como:

1. A frequência do problema

Ele acontece ocasionalmente ou aparece constantemente?

2. O impacto na comunicação

A dificuldade realmente impede o aluno de expressar ou compreender uma ideia?

3. O objetivo do aluno

Essa habilidade é importante para as situações em que ele precisa usar inglês?

4. O momento da aprendizagem

O aluno já possui conhecimento suficiente para trabalhar determinado ponto?

5. A possibilidade de progresso

Existe uma intervenção ou prática específica que pode ajudar?

Assim, o planejamento deixa de ser apenas uma sequência fixa de conteúdos.

A mesma aula pode mudar dependendo do aluno

Imagine uma aula sobre conversação.

Para um aluno, o professor percebe que a maior dificuldade está em encontrar palavras rapidamente.

Para outro, percebe que o vocabulário está adequado, mas as respostas são muito curtas.

Para um terceiro, o problema principal é compreender perguntas feitas de maneira espontânea.

O tema da aula pode até ser o mesmo.

As atividades, porém, podem ser diferentes.

O primeiro aluno pode precisar de atividades de recuperação de vocabulário e construção de respostas.

O segundo pode trabalhar desenvolvimento de ideias e perguntas de acompanhamento.

O terceiro pode praticar compreensão e interação em situações mais espontâneas.

É assim que uma mesma área de estudo pode ser trabalhada de maneiras diferentes.

E as necessidades podem mudar

O que um aluno precisa hoje não necessariamente será sua maior necessidade daqui a alguns meses.

Imagine alguém que inicialmente procura aulas porque trava para conversar.

Depois de algum tempo praticando, essa dificuldade diminui.

Agora o aluno começa a perceber outro problema: consegue conversar, mas tem dificuldade para participar de reuniões profissionais.

A prioridade muda.

Mais tarde, pode surgir uma necessidade relacionada a apresentações, escrita profissional ou compreensão de diferentes variedades do inglês.

O professor precisa continuar observando esse processo.

A análise das necessidades, portanto, não precisa acontecer apenas antes de começar um curso. Ela pode continuar enquanto o aluno evolui.

Como você pode perceber se o professor está realmente entendendo suas necessidades?

Você pode observar o próprio processo das aulas.

Por exemplo:

  • O professor faz perguntas sobre seus objetivos?
  • Ele sabe quais situações você precisa enfrentar em inglês?
  • As atividades têm relação com suas dificuldades atuais?
  • Ele consegue explicar por que determinado assunto está sendo trabalhado?
  • As aulas mudam quando surge uma necessidade diferente?
  • Ele observa como você usa inglês durante as atividades?
  • As correções estão relacionadas aos seus objetivos?

Também é perfeitamente razoável perguntar diretamente:

“Por que estamos trabalhando esse assunto agora?”

Um bom planejamento não precisa ser um segredo do professor.

Quando o aluno entende o motivo de determinada atividade, também consegue participar de maneira mais consciente do próprio processo de aprendizagem.

Você não precisa chegar à aula sabendo exatamente o que estudar

Muitos alunos chegam às aulas pensando:

“Eu preciso melhorar meu inglês, mas não sei exatamente o que está errado.”

Isso é normal.

Descobrir essa resposta faz parte do trabalho pedagógico.

O aluno traz seus objetivos, experiências, dúvidas e dificuldades.

O professor observa o uso da língua, identifica padrões e utiliza essas informações para decidir quais pontos merecem atenção.

A partir daí, as aulas podem ganhar uma direção mais clara.

Você não precisa chegar com uma lista pronta dizendo exatamente quais conteúdos devem ser ensinados.

O professor não deveria simplesmente seguir uma lista de conteúdos?

Uma sequência de conteúdos pode ser útil.

Cursos estruturados, livros e materiais didáticos oferecem uma organização importante para o aprendizado.

Mas o professor precisa conseguir interpretar essa estrutura de acordo com a pessoa que está aprendendo.

Se um aluno já domina determinado conteúdo, talvez seja mais produtivo avançar.

Se outro ainda apresenta uma dificuldade importante em um ponto anterior, pode ser necessário voltar, praticar de outra maneira ou trabalhar esse conhecimento dentro de uma situação mais significativa.

Ensinar envolve tomar essas decisões continuamente.

Perguntas frequentes

Um professor precisa fazer um teste para descobrir o que eu preciso aprender?

Um teste pode ajudar a identificar nível e conhecimentos específicos, mas não é a única fonte de informação.

Conversas, atividades, histórico de aprendizagem, objetivos e observação durante as aulas também fornecem informações importantes.

Meu nível de inglês determina o que devo estudar?

O nível oferece uma referência, mas não determina sozinho suas prioridades.

Dois alunos com o mesmo nível podem precisar desenvolver habilidades diferentes.

Por que o professor faz tantas perguntas sobre meus objetivos?

Porque saber onde e por que você pretende usar inglês ajuda a definir quais situações, habilidades e conteúdos são mais relevantes para suas aulas.

O professor deve corrigir todos os meus erros?

Não necessariamente.

A correção pode depender do objetivo da atividade, do tipo de erro, da frequência com que ele ocorre e do impacto que tem na comunicação.

Minhas necessidades podem mudar durante o curso?

Sim. À medida que você desenvolve determinadas habilidades, outras dificuldades podem se tornar mais importantes.

Por isso, o planejamento pode ser ajustado ao longo do tempo.

Para saber mais

Se você quiser entender melhor o conceito de needs analysis no ensino de línguas, estas referências são bons pontos de partida:

What every EFL Instructor Needs to Know: Effective Implementation of Needs Analysis

Research in Language, sobre a identificação de necessidades, objetivos, experiências e preferências dos alunos.

Needs analysis — British Council TeachingEnglish

Sobre como a análise das necessidades pode orientar o planejamento de cursos.

How to conduct a needs analysis — Macmillan English

Com uma visão prática do processo de coleta e interpretação de informações para decisões pedagógicas.

Conheça as aulas de inglês

Se você sente que entende bastante inglês, mas ainda demora para colocar suas ideias em palavras, as aulas podem ser direcionadas justamente para esse tipo de situação.

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